20/03/2010 às 23:47:36 - Atualizado em 20/03/2010 às 23:49:15
Meninos do Santos dançam dentro das regras e não merecem punição
Nem toda dança será castigada. Até a 14ª rodada do Campeonato Paulista, o homem forte do apito de São Paulo não viu motivo para que os árbitros punam ou até proíbam as comemorações de gol com coreografias. Especialmente, aquelas criadas pelos Meninos da Vila. “Esse tipo de comemoração existe em todo o lugar. Lembra das Copas do Mundo? Não vejo nenhum problema“, disse o coronel Marcos Marinho, presidente da Comissão Estadual de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol.
Depois do clássico entre Santos e Palmeiras, o assunto virou moda. As “dancinhas” que os meninos do Santos ensaiam e executam depois de cada gol são provocadoras? A resposta do Cel. Marinho a esta pergunta é negativa. “Nenhuma delas foi ofensiva ou procurou provocar o adversário. Até aqui, ele não fizeram nada anormal ou anti-desportivo”, disse.
O Palmeiras venceu o jogo por 4 a 3 e seus atletas também dançaram de maneira mais escrachada, como que para responder aos jovens santistas. Nem assim, Marinho viu algo passível de punição por parte dos palestrinos. Os jornais noticiaram que a diretoria do Santos teria protestado na Federação contra a violência dos adversários sobre os jovens talentos Neymar, André, Paulo Henrique e outros jogadores como Robinho e Mádson, o Cel. Marinho nega que isso tenha ocorrido. “Ninguém nos procurou ou enviou algum documento”, disse.
Na última terça-feira, árbitros e assistentes do quadro de árbitros da Federação Paulista de Futebol participaram de uma reunião na sede da entidade. A Comissão preparou um vídeo com lances significativos que merecem correção ou aplausos.
Um dos motivos para elogios é o lado disciplinar. “O critério para aplicação dos cartões está muito melhor este ano. Outro ponto positivo é o bom desempenho dos assistentes”, disse Marinho.
Por outro lado, a proximidade do final da primeira fase do Campeonato Paulista traz preocupação. O Cel. Marinho já sabe o que vai dizer a seus comandados: “Agora começam as brigas para ver quem chegar à semifinal e quem escapa do rebaixamento. Nesta reta final, tudo fica mais tenso e é preciso muita concentração”.
A Comissão de Arbitragem paulista, mantém um grupo de observadores compostos por ex-árbitros de alto nível, que vão a todos os jogos de cada rodada. Depois, o relatórios destes “olheiros” são lidos e confrontados com os teipes das partidas. A partir daí, o árbitro pode ser chamado caso tenha cometido algum erro mais grave.
O árbitro do clássico de Santos 3 x 4 Palmeiras , Antonio Rogério Batista do Prado, foi elogiado pelo presidente da comissão. “No contexto, ele foi perfeito. Acertou até quando o Robinho falou palavras mais duras e poderia receber o segundo cartão amarelo”, avaliou, o homem forte da arbitragem de São Paulo.
PS: É importante lembrar, que o bom desempenho dos árbitros da Federação Paulista de Futebol, está atrelado ao cumprimento na íntegra da determinação da Fifa na questão do observador de árbitros. A entidade que controla o futebol no planeta, determina que essa função deve ser exercida por ex-árbitros com notório conhecimentos sobre as Regras do Jogo, e não fala em nenhum momento na determinação, que essa regra deve ser aplicada nas competições sob sua jurisdição. No Brasil, a figura do observador de arbitragem, vem sendo desvirtuada pelos presidentes das Federações Estaduais em conjunto com os presidentes das Comissões de Arbitragens, que mesmo sabendo da ilegalidade e, por extensão, da imoralidade, aceitam a presença de pessoas inaptas para desempenharem a função, num ato de servilismo abjeto, visando única e exclusivamente a continuidade à frente do comando dos árbitros. Mas, o pior, é que com essa atitude de sabujismo e intolerância, os presidentes das Comissões de Árbitros das Federações Estaduais de Futebol, contribuem para o acentuamento na queda da qualidade da arbitragem brasileira no seu dia a dia.
Valdir Bicudo-bicudoapito@bol.com.br
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