05/03/2010 às 00:00:00 - Atualizado em 04/03/2010 às 18:32:55
Nova abordagem ajuda a controlar o diabetes em menos tempo
Uma nova abordagem para o controle do diabetes, desenvolvido pelo Grupo de Educação e Controle do Diabetes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tem conseguido normalizar as taxas de glicemia de 70% dos diabéticos com descontrole glicêmico, principalmente os portadores de diabetes tipo 2. Por meio de estratégias diagnósticas e terapêuticas, as normatização das taxas glicêmicas é atingida em um prazo médio de quatro semanas, ao invés de ter que aguardar até três meses para a avaliação dos resultados, como sugere a maioria das diretrizes sobre o tratamento da doença.
Mesmo aqueles que apresentam níveis altos de glicemia na primeira consulta 300-400 miligramas por decilitro (mg/dL), como acontece na maioria dos casos, conseguem alcançar as metas desejadas ao final, até a obtenção das taxas desejadas de 150 mg/dl. Um estudo clínico recente desenvolvido no Brasil, mostra que apenas 10% dos diabéticos tipo 1 e 26% dos diabéticos tipo 2 apresentam controle adequado da doença. Quando os níveis de glicemia oscilam muito, acabam se tornando fatores de risco para possíveis complicações crônicas, como doença arterial, derrame cerebral, cegueira e amputação de pés e pernas.
O objetivo principal do estudo é proporcionar serviços especializados de atenção intensiva aos pacientes, portadores de diabetes com mau controle glicêmico e com doenças concomitantes, nos quais o controle clínico da doença é geralmente difícil. Para pacientes com predisposições às infecções, a recuperação é mais lenta e o tempo de internação é maior.
Ajustes no tratamento
O método, aparentemente simples, é realizado por meio de um medidor digital de glicemia, em que a pessoa dosa os níveis de açúcar no sangue seis vezes ao dia (antes e após as três principais refeições e na madrugada), durante três dias. Os dados ficam armazenados no aparelho e são transferidos para um computador, no qual um programa de análise de dados calcula a glicemia média semanal e a variabilidade glicêmica, além de gerar um gráfico que mostra, de maneira didática, os dias e horas de melhor ou pior controle da glicemia.
A maioria da população que recebeu esta nova abordagem consiste de pacientes com diabetes tipo 2, de baixa renda, baixo nível educacional, na faixa etária entre os 50 e 70 anos, recebendo tratamento insulínico e apresentando diferentes complicações do diabetes.
Segundo Augusto Pimazoni, coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão, da Unifesp, este método é uma opção prática para a avaliação do controle glicêmico, em curto prazo e em tempo quase real. Os ajustes de tratamento são implementados conforme as necessidades, sendo que as razões para essas alterações são plenamente explicadas aos pacientes, levando-se em consideração modos de exibição de tendência glicêmica (variações da glicemia no decorrer dos dias) e de dia glicêmico padrão (variação da glicemia nos diversos horários do dia).
"Após o período de avaliação glicêmica intensiva, os pacientes são orientados a realizar os testes apenas ocasionalmente, cerca de duas ou três vezes por semana ou quando sentirem que alguma coisa não vai bem", conclui o especialista.
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